O futuro da educação pós pandemia ? – Sphere | International School

O futuro da educação pós pandemia ?

O futuro dos nossos países depende da educação; as escolas de hoje serão a economia de amanhã. Desde que começou a pandemia, o caso da China me impressionou. Uma das suas prioridades foi a educação. O Governo lançou uma plataforma gratuita de aprendizagem na nuvem com 7.000 servidores e 90 terabytes de banda larga, que permite que 50 milhões de alunos se conectem simultaneamente. Apostar na educação é uma decisão que toda nação deveria tomar.

Andreas Schleicher, responsável pelo PISA, em entrevista ao jornal El Pais.

Salas de aula virtuais se tornaram a resposta mais imediata para a crise mundial provocada pelo coronavírus. A preocupação, no momento, é fazer com que o processo educacional prossiga, de alguma forma atingindo os estudantes para que possam ter suas necessidades de aprendizagem e desenvolvimento atendidas.

É admirável a disposição, a bravura e a coragem dos educadores que nesse momento tão difícil estão se reinventando, colocando a educação virtual em prática e resolvendo a situação do modo possível com as condições vigentes no atual contexto.

Mas o que, exatamente é preciso repensar para um melhor aproveitamento futuro do universo virtual em paralelo ao mundo presencial na educação? Para facilitar, vamos pensar em tudo isso a partir de tópicos, elencados a seguir.

Como funciona a tecnologia educacional na prática

  • Não dá apenas para replicar as aulas do modelo presencial para o virtual.

As salas de aula em que temos professores e alunos reunidos permite interação social, essencial para a formação dos alunos. No âmbito virtual, as condições diferenciadas, únicas e próprias, irão permitir ações como a sala de aula invertida, a aplicação da metodologia de projetos, a pesquisa em diferentes bases (seguras, recomendadas), o contato com outros estudantes e escolas, a leitura de recursos online, a criação de materiais em diferentes formatos, o uso de videoaulas e podcasts para aprofundamentos…

Confundir revolução tecnológica com revolução pedagógica é um equívoco, pois no cenário educacional há muitos casos de mera transposição de um modelo pedagógico conservador para um ambiente virtual inovador. Da aula expositiva à videoaula, a multimídia e a hipermídia não podem ser consideradas isoladamente como sinônimo de transformação metodológica, pois não raro representam apenas mudança tecnológica. 

Débora Duran, mestre e doutora pela Faculdade de Educação da USP e assessora pedagógica no Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx/DETMil)

Pensar o projeto pedagógico da escola para ações desafiadoras, em que os alunos tenham possibilidade de interagir, construindo o conhecimento a partir de diferentes bases, podendo consultar fontes fidedignas, realizando sempre alguma contribuição por meio de produção em áudio, texto, vídeo, infográfico, fotografia ou qualquer outra forma de expressão é algo esperado nessa nova realidade.

Natalia Tieso IB

Em live promovida pela Sphere International School com a Representante Regional do International Baccalaureate na América Latina, Natália Tieso, foi destacado por meio de documento dessa conceituada instituição, um conjunto de orientações e ferramentas para o ensino online nas escolas internacionais.

  • Livros e outros recursos regulares na escola irão continuar existindo!

No caso dos materiais didáticos, será preciso ir além de links indicados ou do uso de QR Codes para acessar alguma galeria de fotos, site ou vídeo que apoie o estudo em curso. A integração terá que prever desde o acesso a recursos de apoio, em qual formato forem considerados enriquecedores para as atividades propostas, mas além disso por meio do digital precisará ser mais ágil, personalizada, conectada com pares que estão igualmente participando do processo de construção dos conhecimentos, capaz de gerar dados para o acompanhamento e orientação dos estudantes e das escolas quanto às dificuldades e sucessos em curso, garantir a segurança dos dados dos estudantes para evitar qualquer tipo de uso indevido de suas informações, desafiar os estudantes para um tipo de estudo que não seja meramente reprodução de saberes, mas que enseje a pesquisa, a busca por novos saberes e pela divulgação e compartilhamento do que foi produzido.

Precisa ser trabalhado como ponte entre a escola e o mundo real, sendo elemento de contextualização, capaz de gerar entendimentos que permitam aos estudantes encontrar onde estão os saberes acadêmicos por eles trabalhados. Entender o conceito matemático e verificar a aplicabilidade por meio de simulações, animações, realidade virtual e criação de projetos de melhoria, estimulando o trabalho em grupos, são propostas que precisam entrar em vigência para que o virtual colabore, e muito, com o presencial. O professor em sala de aula assume o papel real de tutor, daquele que orienta, provoca, estimula, tira dúvidas, indica caminhos e que, por meio do digital, aprofunda os saberes e motiva os estudantes.

Além das provas e tarefas regulares, num contexto híbrido. Nesse caso, propondo atividades mais pontuais que devem promover a reflexão, levando o aluno não somente a reproduzir fórmulas, teorias e conceitos, mas perceber e aplicar tais ideias ou proposições em situações nas quais se sinta desafiado a pensar e não a reproduzir. Situações-problema são, portanto, algo que se espera nessa primeira via de avaliação e que, uma a uma, podem ser elementos que irão permitir aos educadores verificar o andamento individual e coletivo de seus alunos e turmas. Cada pequeno passo nas atividades propostas pode gerar avaliações amplas e pontuação em diferentes quesitos, que vão dos técnicos, passando pela organização de ideias, capacidade de expressão e outros, como o emocional também. A avaliação mais ampla, por meio dos projetos, irá avaliar e validar o resultado final e, principalmente, a composição do trabalho, a capacidade de articulação de ideias, a forma de expressão escolhida, o respeito a prazos… Enfim, tudo aquilo que envolve a produção como um todo e que, diária ou semanalmente vai sendo trazido pelos estudantes em seus portfólios ou páginas digitais. A avaliação é continuada e multifacetada dessa forma e, na sala de aula, outros meios de perceber a evolução dos alunos continuam sendo implementadas pelos professores.

Estamos passando por um momento completamente novo, mas podemos aprender com quem já passou por isso, como a Keystone Academy em Beijing, veja o documento explicativo.

É preciso formatar o ensino híbrido para que se efetive por meio de planejamento consciente, através do qual estudantes e seus professores sejam artífices de uma ação muito mais efetiva, enriquecedora e interessante para a consolidação de saberes e, por meio deles, de valores e práticas essenciais para a vida em sociedade, na busca por um mundo melhor, mais justo, ético e feliz.

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