O ensino híbrido veio para ficar: criando o inédito na sala de aula e para a vida – Sphere | International School

O ensino híbrido veio para ficar: criando o inédito na sala de aula e para a vida

Momentos de incerteza demandam que muitos cenários sejam projetados. Exigem, mais que nunca, estudo, colaboração, conexão e criação de soluções inéditas. É o que está acontecendo em muitos cenários educacionais. Nunca antes tivemos acesso a tantos cursos, webinars, publicações on-line, plataformas e ferramentas tecnológicas, tutorais etc.

Mesmo assim, o que fazemos com tudo isso? Precisamos nos voltar para o nosso propósito em educação. Por que e para quem fazemos o que fazemos? A partir dessa questão, vamos nos debruçar sobre como fazemos.

Quando a missão da escola inclui a formação de alunos conhecedores, bons comunicadores e solidários para um mundo mais ético e sustentável, por exemplo, não basta realizar um kit de atividades, roteiros de estudos ou reproduzir uma sequência de aulas expositivas na modalidade on-line. A contextualização, a problematização e a criação de oportunidades de construção de agência de alunos e professores é o que parece fazer mais sentido. Mas para isso, devemos dar um passo para trás, conhecer mais profundamente como cada aluno está vivendo este momento tão desafiador. Quais são suas necessidades, seus interesses, suas possibilidades? E como o currículo da escola pode ser conectado a esses diferentes contextos? 

Pensando nisso, a aprendizagem baseada em projetos assume papel de destaque no ensino remoto. Os projetos, como o próprio nome diz, projetam situações de aprendizagem, são pensados de modo flexível, são criados e recriados de modo dinâmico por alunos e professores. Vamos usar a palavra “projetos” de modo inclusivo. De pequena ou longa duração, pensamos em projetos como aquelas situações de aprendizagem que não estão descritas linearmente em folhas de papel ou livros didáticos. Partem de problematizações e grandes ideias a serem exploradas. Permitem a diferenciação, resolução de problemas, criação e ação. Ao longo do caminho, oferecem evidências de aprendizagem e oportunidades de reflexão. 

Planejamento colaborativo de projeto de alunos do Year 5

Nesse sentido, o Ensino Híbrido pode ser uma excelente abordagem para o engajamento dos alunos e ampliação das oportunidades de aprendizagem para todos.

Para entender o Ensino Híbrido, tomamos como exemplo a definição do Christensen Institute, que o caracteriza como uma forma de ensino que combina diferentes modalidades, presenciais e digitais, para promover uma experiência de aprendizagem integrada. Pressupõe que o aluno tenha um certo nível de controle sobre tempo, espaço, percurso e ritmo de sua aprendizagem. Coloca o aluno ao centro do processo e amplia situações de discussão, investigação, prática, produção e colaboração, ao contrário da aprendizagem passiva.

Diferentes modelos de Ensino Híbrido são descritos na literatura especializada, sendo que o rotation model, o modelo de rotação em estações, talvez seja o mais utilizado nas escolas de ensino básico.

Blended Learning Definitions

blended learning models

No Rotation model, as estações podem ser organizadas de diferentes maneiras na sala de aula presencial ou virtual. Podem oferecer um cardápio ou uma playlist com atividades obrigatórias e outras de livre escolha para os alunos. Algumas estações podem ser propostas para atendimentos individualizados ou em pequenos grupos com o professor. Outras podem acontecer em diferentes espaços, como no atelier de artes ou laboratório da escola. Quando o aluno está em casa, as estações podem ser caracterizadas com a organização de um roteiro de aprendizagem que inclua possibilidades de exploração e produção em diferentes modalidades e mídias. As salas de aula heterogêneas, assim chamadas por Rebeca Anijovich, professora da Universidade de Buenos Aires, são trabalhadas na Sphere International School desde antes da pandemia. Rebeca enfatiza a importância das consignas significativas para o desenvolvimento da aprendizagem auto regulada. Respeitando as diferentes idades e necessidades dos alunos, as consignas significativas oferecem diretrizes, mas permitem a escolha e a reflexão, não limitando as possibilidades de agência.

O termo agência, tão utilizado atualmente no universo da educação, é definido pelo International Baccalaureate (IB), órgão certificador para escolas internacionais, como a capacidade que cada aluno possui de ter voz, escolha e autoria (voice, choice and ownership) na experiência escolar e na vida. Na visão sócio-cultural, agência é a capacidade que os indivíduos possuem de romper com padrões preestabelecidos e criar o inédito. Na maioria das vezes, isso não acontece de modo isolado, ao contrário, quando esse inédito faz sentido para um número cada vez maior de pessoas, a transformação acontece como resultado da agência individual e coletivamente construída. Isso nos leva de volta ao propósito educativo das escolas. Quando a prática em sala de aula é mobilizada pela criação de situações de aprendizagem que desenvolvem a criticidade e a agência, podemos imaginar esses inéditos viáveis que tanto precisamos para um mundo mais ético e sustentável. Hoje, a aprendizagem flexível foi acelerada pelo contexto da pandemia, mas as escolas já se veem transformadas, não somente para adaptar-se a uma necessidade do momento, mas para um futuro com mais mobilidade e oportunidades de acesso, que faça sentido e que resgate a curiosidade e a vontade de imaginar o impensável.

Susan Clemesha

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo e mestre em Linguística Aplicada pela PUC-SP. Diretora acadêmica da rede Sphere International School, atua na área de formação de professores e desenvolvimento curricular para a Educação bilíngue (português e inglês) e internacional. Integra o grupo de pesquisa GEEB (Grupo de Estudos em Educação Bilíngue) e o LACE (Linguagem em Atividade no Contexto Escolar), ambos da PUC-SP.

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