Como o cérebro aprende? – Sphere | International School

Como o cérebro aprende?

Quais são as principais características do cérebro da criança e do adolescente?

Aprender é uma função cognitiva que sempre implica em modificações neurológicas celulares, elétricas e químicas. As sinapses estão relacionadas à capacidade de aprender interagindo com o ambiente. Assim, estruturas do sistema nervoso processam novas informações criando, fortalecendo e também enfraquecendo sinapses. O aperfeiçoamento de uma habilidade com treino e memorização, aprender a ler e escrever, por exemplo, implica no fortalecimento de algumas sinapses e no aumento da velocidade do processamento e execução.

Nascemos com 110 a 120 bilhões de neurônios e vários morrem nos primeiros meses por morte programada. Suas principais funções são receber, processar e transmitir informações.

Os estudos da neurociência ligados a educação começaram com o desenvolvimento do recurso das neuroimagens, que oferecem informações sobre o desenvolvimento cerebral dentro do campo da cognição.

Sabe-se que crianças recém-nascidas até sete anos se mantêm com o mesmo número de neurônios, porém as conexões durante este período aumentam muito.

Já na adolescência, diminui a quantidade de neurônios com um processo que chamamos de poda neural, ou seja, o corte de conexões que não precisam mais. Hoje em dia, cientistas acreditam que o cérebro amadurece por volta dos 30 anos, com um cérebro mielinizado.

Os neurônios são democráticos, eles escolhem o que e para quem irão transmitir sinapses. Todas as possibilidades de sinapses estão relacionadas com nossos pensamentos, comportamentos e sentimentos, apontando para infinitas possibilidades.

O córtex da criança, a região mais externa do cérebro, responsável pelas funções cognitivas, é praticamente um livro aberto. Nesta fase as sinapses ainda não se fixaram no cérebro, por isso precisamos estimular e fortalecê-las para dar oportunidades para a criança entrar em contato novamente com uma determinada informação ou habilidade. A repetição faz parte do processo de aprendizagem, mas para isso precisamos utilizar diferentes ferramentas e estratégias. Entrar em contato com a mesma informação de maneiras diferentes ajuda a fortalecer as sinapses. Podemos dizer que uma sinapse consolidada tem como resultado a aprendizagem.

Hoje, em contextos mais favorecidos,  recebemos na escola crianças letradas, com um grande conhecimento de mundo e que tiveram contato com diferentes gêneros textuais desde muito cedo. Algumas crianças já chegam na escola com “sede de aprender”. Precisamos conhecer nossas crianças. Em uma sala de aula, por exemplo, precisamos trabalhar com estratégias para identificar a necessidade e interesse de cada criança.  

As áreas cerebrais responsáveis pelas habilidades da leitura e da escrita serão cognitivamente mielinizadas por volta dos 6 ou 7 anos. Antes desta idade o cérebro não está maduro para o processo de alfabetização.

 Algumas crianças podem aprender a ler e a escrever antes desta idade se receberem estímulos para isso. Porém, precisamos ficar atentos para uma questão: receber muitos estímulos pode ser tão prejudicial quanto não receber estímulos, isso porque existe a necessidade de estimular outras áreas. Estimular o processo de alfabetização e deixar de estimular outros, que são característicos para serem estimulados antes dos 6/ 7 anos, pode ser um problema. Estimular é o segredo, mas precisamos ter cuidado com a dose do estímulo: o quanto e em que momento.

Uma educação infantil de qualidade é marcada por INTENCIONALIDADE. Os objetivos precisam ser claros, o que queremos e é necessário desenvolver em cada idade. A neurociência vem contribuir com a educação como uma valiosa ferramenta, possibilitando uma mudança no olhar. Professores precisam ver os alunos de uma maneira diferente e conhecê-los. Importante saber se eles estão preparados para desenvolver tal habilidade, se existe uma dificuldade, o que deve ser estimulado e como.

A personalização da aprendizagem rompe com uma noção de que todos precisam fazer as mesmas propostas em todos os momentos. Esse olhar generalizador faz com que algumas famílias queiram que seus filhos avancem de série. No entanto, é possível que em uma mesma turma, a diferenciação seja trabalhada para atender às diferentes necessidades de cada criança. Os pais precisam de formação e orientações da área pedagógica da escola sobre o que é esperado pra cada faixa etária. Para isso, o currículo da escola precisa estar estruturado e servir como base para trabalhar com a ansiedade e dúvidas sobre o desenvolvimento da criança com as famílias.

Precisamos respeitar as características de cada fase e estimular de acordo com o que está previsto. Porém, caso isso não seja feito e etapas importantes do desenvolvimento da criança sejam “puladas” ou “aceleradas”, poderá ser compensado pela neuroplasticidade, a possibilidade de fazer novas conexões ou desfazer.

A neuroplasticidade existe na medida em que nos direcionamos para a mudança, ou seja, quando nos permitimos realizar novos aprendizados. A intensidade dos estímulos e a ressignificação de algo acabam fazendo conexões diferentes e promovendo o desenvolvimento de diferentes áreas.

A motivação desenvolve o aprendizado. Quando a pessoa se depara com uma interferência positiva, isso mobiliza a atenção da mesma, o que gera a motivação. Da mesma forma, se o indivíduo encontra uma tarefa muito difícil, sua mente se frustra e ele acaba desmotivado, e isso interfere na sua aprendizagem. Para haver o desenvolvimento cognitivo a criança deve entrar em contato com os conteúdos escolares, mas também realizar atividades que despertem a sua curiosidade, proponham desafios que as motivem.

O desenvolvimento cognitivo também está relacionado às emoções. O córtex órbitofrontal é importante no controle social das respostas emocionais e cuida da associação da emoção com o cognitivo.

Quanto mais um evento tenha emoção, mais a criança se lembrará dele e isso afetará na construção de conhecimento, de forma positiva ou negativa. Portanto, a escola tem o importante papel de promover e planejar situações para facilitar as emoções positivas e assim, facilitar a aprendizagem.

Com a chegada da adolescência as sinapses começam a reduzir, um terço dos receptores para dopamina são perdidos e os axônios começam com um processo de engrossamento da bainha de mielina. O cérebro então deixa de ser um livro aberto para começar o processo de amadurecimento.

(Year 8 Community Project)

Por isso, precisam de experiências mais intensas, que estimulem mais a liberação da substância para sentir prazer. O córtex pré-frontal ainda não está totalmente desenvolvido, sendo a última parte do cérebro a amadurecer. Esta região é responsável pelo processamento de comportamentos “adultos”, como: o planejar, se concentrar, inibir impulsos e ter empatia.  

Adolescentes, pais e professores se deparam com situações por vezes difíceis de serem resolvidas, por isso a importância de uma boa comunicação entre todos. 

Nesta fase o adolescente precisa de limites claros, ser escutado, receber dicas das pessoas mais experientes e estar engajado em atividades que exijam criatividade e planejamento para que aprendam a lidar com as diferentes situações.

Juliana Silva

Professora na Sphere International School desde 2008 e autora dos materiais didáticos da Sphere utilizados no Ensino Fundamental Anos Iniciais. Licenciada em pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina, com especialização na Educação Infantil. Atualmente, trabalha com classe de alfabetização bilíngue (Year 1) e está concluindo sua pós- graduação em Neurociência na Escola pelo Instituto Singularidades.

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