O bem-estar socioemocional dos alunos no retorno às aulas presenciais – Sphere | International School

O bem-estar socioemocional dos alunos no retorno às aulas presenciais

Taytana Kleyn, professora da City College of New York (CCNY) e co-autora do livro Translanguaging With Multilingual Students: Learning from Classroom Moments, ao lado de Ofelia García, compartilha no Blog dessa semana, um texto escrito no contexto de comunidades de imigrantes em Nova Iorque. Apesar das escolas bilíngues particulares no Brasil se direcionarem, em sua maioria, a alunos brasileiros e expatriados, em que as línguas utilizadas são, em grande parte, prestigiosas, o texto adequa-se à nossa realidade na medida em que Tatyana discute a importância da atenção aos aspectos socioemocionais dos alunos durante o ensino emergencial remoto. Nesse sentido, todos os alunos merecem atenção especial ao bem-estar socioemocional. Tatyana fala da importância do exercício da compaixão, do Translanguaging, da literatura, entre outras maneiras de acessar o aluno para apoiá-lo no retorno às aulas presenciais.

Apoiando o bem-estar socioemocional de alunos bilíngues e imigrantes: educadores atendendo aos anseios de seus alunos na pandemia do coronavírus

A pandemia COVID-19 virou nosso mundo do avesso, ou talvez de fora para dentro (como muitos de nós somos forçados a ficar em casa). Nossos alunos tiveram que lidar com traumas, estresse e incertezas de maneiras novas e imprevisíveis. Além disso, comunidades Negras e Latinx foram desproporcionalmente impactadas por este vírus devido a colapsos estruturais. Os asiático-americanos estão enfrentando crescente discriminação e ataques racistas, já que são injustamente culpados pelo início deste vírus.

Para os educadores, essa realidade exige uma atenção especial ao bem-estar socioemocional dos alunos e suas famílias.

Para ter uma ideia de como os educadores estão apoiando o bem-estar de seus alunos, procurei aprender sobre as práticas dos professores em todo o país. Depois de circular um questionário online, recebi mais de 25 respostas e organizei-as em sete categorias:

Assumindo uma postura de compaixão e compreensão

Professores de todo o país estão aprendendo, por meio de lentes de compaixão, sobre as novas realidades que nossos alunos e suas famílias estão vivendo. María V. Díaz, uma educadora do NYS Statewide Language RBERN da NYU, explica como  essa postura se realiza na prática:

Ao trabalhar com professores, um ponto que enfatizo é ser compassivo com seus alunos, com certeza, mas também com suas famílias e com eles próprios. Ensino remoto é uma nova fronteira para todos nós. Então eu proclamo ser compassivo com todos. Professores, não há problema em ter atividades que levem os alunos para longe de suas telas; pais, não tem problema em não saber como ajudar seu filho com a aritmética da 4ª série; alunos, podem ficar tristes por sentir falta de seus amigos da escola. Está tudo bem! Dê a si mesmo permissão para ser compassivo e deixe essa compaixão reinar quando voltamos ao novo “normal”.

Comunicação consistente e variada

Na ausência de contato pessoal, os professores estão encontrando inúmeras maneiras de manter comunicação com seus alunos e famílias. Whatsapp, Google Meets, Google Formulários, WeChat, Remind, WebEx, chamadas telefônicas, chamadas de vídeo, mensagens de texto e e-mail são algumas das maneiras pelas quais eles permaneceram em contato. Martina Meijer, uma professora bilíngue da 4ª série na escola PS 139 NYC DOE, também envia cartões postais para alunos que não têm acesso à tecnologia e / ou wi-fi. Essas comunicações podem servir como uma forma de aprender mais sobre com o que cada família está lidando, verificando seu bem-estar e discutindo como a aprendizagem ocorrerá para aliviar a ansiedade sobre a aprendizagem virtual.

Inclusão de línguas maternas e translanguaging

Esta pandemia destacou a importância do acesso à informação, e em algumas famílias de imigrantes, notificações somente em inglês podem ser um obstáculo. Professores e escolas estão encontrando maneiras de usar as línguas maternas dos alunos para construir pontes de compreensão. Alguns professores são bilíngues, enquanto outros confiam mais em aplicativos de tradução, que não são perfeitos, mas são úteis. Um professor explica: “Isso conforta alunos e famílias, fazendo com que saibam que eles podem se comunicar em qualquer idioma e obter uma compreensão da tarefa ou resolver um problema. ” 

Maryann Hasso permite que seus alunos leiam um livro em sua língua materna e enviem um resumo bilíngue, reduzindo assim o estresse de trabalhar em um novo idioma, exclusivamente. Um professor notou que “poder se comunicar em sua própria língua dá a muitos alunos e seus pais o apoio emocional que precisam, à medida em que são ouvidos e compreendidos durante este período.” Ao encorajar todos a usarem todos os seus recursos linguísticos, os educadores estão reduzindo as ansiedades e tornando as informações vitais mais acessíveis.

Lições sobre emoções por meio da literatura, artes e muito mais

Os alunos exibem emoções por meio de uma variedade de comportamentos, muitas vezes sem falar sobre eles ou sem identificar exatamente como eles estão se sentindo.

Algumas escolas têm aulas que focam explicitamente em aprendizagem socioemocional. Albany International Center School, uma escola de Ensino Fundamental Anos Finais para imigrantes tem uma gama de atividades para aprendizagem Socioemocional em aulas virtuais. Uma classe usa princípios da disciplina restaurativa e “os alunos também compartilham citações, músicas e outras mensagens positivas para conectarem-se inspirarem-se uns aos outros”, explica Liz Gialanella, psicóloga da escola.

A literatura pode ser um poderoso ponto de partida para conversas sobre os próprios sentimentos e como aproximar-se deles. Dayle Pomerantz, uma professora bilíngue da Educação Infantil diz que eles usam “Livros bilíngues para crianças que falam sobre sentimentos [e] incentivam as crianças a ditar suas palavras para um adulto fazer desenhos em um diário.” Aqui estão apenas alguns exemplos de livros multilíngues que os educadores podem usar com seus alunos:

Why We Stay Home é um livro recém-lançado que lida diretamente com o Coronavírus, e pode ser baixado gratuitamente.

 

As artes também podem ser uma forma para os alunos lidarem com circunstâncias desafiadoras e expressar seus sentimentos. Na escola de Ensino Fundamental Anos Finais Pamela Broussard, em Houston, Texas, os alunos bilíngues recriam obras famosas por meio do Desafio do Museu Getty. Ela compartilha: “Eu fiquei chocada com as peças fantásticas que meus alunos criaram.

 

Embora não fizesse parte da tarefa, logo se tornou muito óbvio que as obras e as escolhas refletiram como eles estavam se sentindo em relação ao COVID-19, ao mesmo tempo em que também trouxeram muitos sorrisos e risos.”

Práticas de atenção plena

Embora muitos adultos tenham se voltado para ioga e meditação para passar por esses tempos difíceis, os alunos também se beneficiam dessas práticas. Alejandra Ramos Gomez é uma professora bilíngue da 1ª série em Dallas, Texas, que iniciou um canal no YouTube chamado: Aprendendo com Ms. Ramos. Ela cria vídeos em espanhol para “Incluir diferentes práticas de atenção plena e meditação em um formato amigável ao aluno.”

Buscando apoios adicionais e defendendo as famílias

Mesmo que tentem, os professores não conseguem fazer tudo! E com uma mentalidade “Maslow antes de Bloom”, Pamela Broussard diz, “Eu forneço às famílias links para locais de distribuição de cestas de alimentos.” Angela Timm, uma professora de ensino médio ESL em Nova Jersey “Defendeu o acesso a um orientador educacional bilíngue para um aluno que comunicou seu medo depois de ouvir que alguém próximo a ele testou positivo para COVID-19. ”

Expressando gratidão

Mesmo em tempos difíceis, é importante mostrar gratidão pelo que temos em nossas vidas e as pessoas que estão nos ajudando a superar este momento histórico. Pedro Calixto é um Professor bilíngue da 5ª série da escola PS 169 em Brooklyn que pediu aos alunos que escrevessem cartas de agradecimento para trabalhadores essenciais, em espanhol.

Uma nota de gratidão para nossos educadores essenciais

Gostaria de concluir expressando minha gratidão aos educadores que reservaram um tempo para suas vidas estressantes em quarentena para compartilhar o que estão fazendo para apoiar o bem-estar socioemocional de seus alunos bilíngues e imigrantes. Seus esforços extraordinários nos lembram que também devemos dedicar tempo para cuidar de nossos professores, como eles estão sendo solicitados a fazer seu trabalho em um contexto para o qual foram não preparados. No entanto, eles fazem milagres acontecerem todos os dias, cuidando de alunos de grandes e pequenas maneiras, enquanto eles próprios lutam para entender nosso novo contexto COVID. E para cada um desses professores, eu digo gracias, благодарю вас e mèsi.

Para ler o artigo na íntegra:

Taytana Kleyn

Tatyana Kleyn is associate professor and director of the Bilingual Education and TESOL Programs and faculty advisor to the Dream Team at The City College of New York. She has an Ed.D. in international educational development from Teachers College, Columbia University.

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *