Celebrar a literatura é celebrar quem somos, por meio dos outros – Sphere | International School

Celebrar a literatura é celebrar quem somos, por meio dos outros

A literatura pode ser um excelente ponto de partida para os alunos compreenderem melhor a si próprios e ao mundo ao seu redor. Através da leitura, damos a eles a oportunidade de formar suas próprias opiniões e analisar situações de diferentes perspectivas. Ler vai muito além de responder a perguntas de compreensão e folhear o texto para obter respostas. É sobre conectar-se a si mesmo, a outros textos e ao mundo. Trata-se de fazer perguntas, mais do que respondê-las. Ao ler, os alunos percebem que podemos olhar para o mundo através de diferentes lentes. Os professores devem incentivar os alunos a reconhecer diferentes perspectivas, entendendo que diferentes pessoas interpretam a mesma história de muitas maneiras.

Quando lemos e contamos histórias, também representamos uma variedade de contextos e experiências culturais que inspiram os alunos a usar a imaginação e a se tornarem curiosos. Devemos também oferecer a eles oportunidades de contar, recontar e inventar suas próprias histórias. Quando a leitura se torna uma prioridade na sala de aula e em casa, as crianças entendem que fazem parte de uma comunidade e que suas experiências de vida são enriquecidas por meio das experiências e da cultura de outras pessoas.

Na Sphere International School, a leitura é uma parte essencial da rotina diária. Leitura de livre escolha, leitura guiada, leitura em voz alta e uma série de estratégias de leitura são combinadas para promover amplas oportunidades para os alunos desenvolverem apreciação pela literatura e se tornarem cada vez mais independentes em suas jornadas de aprendizagem pessoal.

Livre escolha

Uma das contribuições mais significativas para incentivar os jovens a ler é possibilitar a livre escolha. Ao lado das leituras sugeridas e guiadas, a leitura de livre escolha é essencial para que cada aluno tenha sua própria chance de construir o repertório que mais se conecta à sua identidade. Permitir que a criança exerça sua escolha, a partir de seus próprios interesses é uma das melhores formas de envolvê-la em hábitos de leitura para o resto da vida.

Fazendo conexões

Tornar as conexões visíveis ajuda os alunos a encontrar o significado de um texto, conectando-o ao seu conhecimento prévio. A leitura torna-se significativa quando podemos conectá-la à nossa própria experiência. Ao ler para crianças pequenas, incentivá-las a fazer conexões ajuda-as a descobrir mais sobre as histórias e sobre elas mesmas.

Leitura em voz alta

Ler em voz alta são momentos divertidos e tranquilos, conduzidos pelo professor, geralmente, mas não exclusivamente, para crianças pequenas. Há muitas maneiras pelas quais os alunos podem ser incentivados a interagir durante a leitura em voz alta. Uma diversidade de estratégias e experiências sensoriais costumam ser a melhor maneira de envolver os leitores jovens, ao mesmo tempo em que o professor modela a leitura e conecta-se com cada criança.

Faz de conta

Por meio da brincadeira, as crianças vivenciam o mundo, exercitam sua imaginação e desenvolvem a linguagem e os processos de pensamento complexo. É por isso que brincar é uma ferramenta tão poderosa na educação. Brincar permite que as crianças se coloquem em uma posição diferente e, por meio da linguagem do faz-de-conta, aprendam a entender as pessoas e a cultura ao seu redor.

Amigo leitor

Na leitura de amigos, os alunos se revezam na leitura por frase, parágrafo ou página. Os professores às vezes podem formar pares de alunos com os mesmos níveis de leitura e às vezes com níveis diferentes. Na Sphere International School, o projeto “Reading Buddies” conecta os alunos do 8º e do 1º ano em momentos de leitura semanais que são benéficos tanto para as crianças pequenas quanto as maiores. Os alunos do 8º ano modelam a leitura e incentivam as crianças do 1º ano a lerem junto. Mas não são apenas os alunos mais jovens que se beneficiam do projeto. O incentivo também é importante para que os alunos mais velhos se vejam como um modelo para os jovens alunos, mesmo quando eles próprios possam enfrentar dificuldades de leitura de textos mais elaborados.

Feiras de livros

As feiras de livros nas escolas são boas oportunidades para o estímulo à leitura. Nelas, o aluno tem a oportunidade entrar em contato com autores, ilustradores e contadores de histórias, além de explorar uma grande variedade de livros oferecidos por livrarias parceiras. O Book Exchange é uma iniciativa dos alunos do MYP da Sphere International School, em que a comunidade escolar é convidada a participar com doações ou trocas de livros. Envolver jovens e crianças em leitura literária abre possibilidades que superam o desenvolvimento de habilidades, pois aproxima o leitor da cultura de uma época e, ao mesmo tempo, o desperta para a percepção pessoal em meio ao imaginário coletivo. E para celebrar aqueles que se dedicam a essa arte, a Academia Sueca concede, todos os anos, o prêmio Nobel de Literatura.

Nobel da Literatura

Este ano, a vencedora foi Louise Glück, poeta americana de 77 anos. A autora nova-iorquina foi premiada "por sua inconfundível voz poética que, com beleza austera, torna universal a existência individual". Ao longo dos anos, apenas 16 mulheres receberam o prêmio, entre uma centena de homens, desde 1901.

Ilustração de Louise Glück, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2020 — Foto: Nobel

O programa de literatura nas escolas, quando cuidadosamente construído,  contribui para a formação do leitor em uma perspectiva multilíngue e  intercultural. Por isso, a importância de haver uma diversidade de culturas, crenças, etnias e gêneros representados.

 

Professora Trainee Isabela, conta histórias de seu país de origem, a Venezuela.

Os pais também devem ficar atentos às escolhas dos títulos, pois mesmo que não intencionalmente, o direcionamento pode acontecer para leituras que expressam visões monoculturais. Uma boa dica em língua inglesa foi recentemente divulgada com a indicação de uma série da Netflix com leitura de livros infantis de autores negros.

Histórias que importam, série da Netflix, reúne personalidades como Lupita Nyong, Caleb McLaughlin, Karamo e Tiffany Haddish. (Foto: Reprodução/Youtube)

De acordo com o site da empresa de streaming, a série apresenta celebridades que leem obras infantis de autores negros para estimular crianças a conversarem sobre empatia, igualdade, autoestima e antirracismo.

Nas escolas bilíngues e internacionais, pedir para os alunos trazerem literatura original de seus países de origem também é uma boa estratégia, pois possibilita estabelecer uma relação de empatia e reconhecimento pela língua e cultura do outro.

Tatyana Kleyn, professora da City College of New York (CCNY), pesquisadora na área de educação bilíngue em contextos de comunidades de imigrantes em Nova Iorque, sugere que a leitura seja utilizada para que professores possam se aproximar de seus alunos e suas necessidades socioemocionais nesse momento de pandemia.

Why We Stay Home is a newly released book that deals directly with the Coronavirus, and can be downloaded for free.

Em seu artigo, Addressing the Socioemotional Well-being of Bilingual & Immigrant Students: Educators Rising to the Coronavirus Call, Tatyana nos lembra da importância da literatura como um poderoso disparador de conversas sobre sentimentos, anseios como como superá-los.

Cada vez mais, as múltiplas mídias e modalidades vêm transformando as práticas de leitura, ampliando as oportunidades para que crianças e jovens apreciem a literatura, interajam com o outro e comuniquem suas ideias. Qualquer que seja a mídia, as histórias permanecem, e nos aproximam de outras culturas e de nós mesmos.

Susan Clemesha

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo e mestre em Linguística Aplicada pela PUC-SP. Diretora acadêmica da rede Sphere International School, atua na área de formação de professores e desenvolvimento curricular para a Educação bilíngue (português e inglês) e internacional. Integra o grupo de pesquisa GEEB (Grupo de Estudos em Educação Bilíngue) e o LACE (Linguagem em Atividade no Contexto Escolar), ambos da PUC-SP.

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