Como utilizar o poder do feedback na escola? – Sphere | International School

Como utilizar o poder do feedback na escola?

As questões de autoavaliação são difíceis de serem respondidas sozinhas, sem qualquer ajuda extra, porque todos nós temos alguns “pontos cegos” que não podemos ver. E se não os vemos, não temos oportunidade de mudar, melhorar ou crescer.

De acordo com o texto The Power of Feedback (2007), há três questões principais de feedback que devemos fazer: Para onde estou indo?, Como estou indo? E para onde ir? Acredito que o papel do professor seja semelhante ao de um terapeuta ou psicólogo: ajudar e orientar os alunos a encontrar essas respostas, torná-los conscientes, organizar e definir os objetivos.

Durante o processo de ensino-aprendizagem, os alunos Sphere são encorajados a entender melhor seus sentimentos, equilibrar suas emoções, para que possam fazer uma análise crítica das situações vividas. Esse momento guiado possibilita ao aluno enxergar a fundo o cenário, para abrir espaço a um feedback mais efetivo, compreendendo o que poderia ser feito diferente, o que ele poderia mudar, quais foram os pontos positivos e negativos daquele determinado momento. 

Para que essa ação guiada aconteça de forma mais adequada, é necessário entender que há uma distinção entre o feedback sobre a tarefa (FT), sobre o processamento da tarefa (FP), sobre a autorregulação (FR) e como pessoa (FS), e os autores argumentam que FS é o menos eficaz: “Feedback pessoal, como “Boa menina” ou “Grande esforço”, normalmente expressa avaliações positivas (e às vezes negativas) de afeto sobre o aluno (Brophy, 1981). […] A informação tem muito pouco valor para resultar em ganhos de aprendizagem. ” (Hattie & Timperley, 2007, p. 96).

Além disso, podemos considerar o “momento” do feedback: de acordo com os autores, os efeitos do feedback imediato são provavelmente mais poderosos para o FT e o feedback atrasado mais poderoso para o FP. Concordo que simplesmente fornecer mais feedback não é a resposta: percebemos que é necessário considerar a natureza do feedback, o momento e como um aluno “recebe” esse feedback. É complexo, mas também muito poderoso, porque pode levar os alunos a alcançarem objetivos mais elevados, uma vez que tenham uma visão mais clara sobre si mesmos e seu processo de aprendizagem.

Na Sphere, esse feedback acontece de vários lados: o aluno recebe essa avaliação dos professores, mas por sua vez, ele também faz reflexões e avalia o processo de aprendizagem, como por exemplo no projeto de Assembly, ou assembleia, na qual o estudante traz seu ponto de vista em relação ao que aprendeu, o que foi positivo e negativo, e o que poderia ser melhorado para o próximo ciclo.

Em se tratando de avaliações, o feedback também é uma ferramenta valiosa nesse processo. Os autores do texto Desenvolvendo Alunos “Capacitados para Avaliação” (2018) explicam algumas estratégias que podemos usar para minimizar o papel passivo do aluno no processo de avaliação, como motivação, definição de metas, autorregulação e feedback. Esta última é “a ferramenta mais subutilizada”, segundo eles. Pelo poder do feedback, acredito que devemos aprimorar seu uso não só com os alunos, mas entre os pares (professores e funcionários) e até na vida pessoal, afinal quanto mais recebemos feedback de qualidade e eficiente, melhor aprendemos a oferecê-lo, e fazendo isso com os nossos alunos, ajudamos a se olharem de forma mais consciente e crítica, o que pode acabar desenvolvendo uma capacidade de autoavaliação e fazendo com que se sintam mais conectados – e ativos – no seu processo de avaliação.

Camila Blanco

Camila Blanco é bacharel, licenciada e Mestre em Letras pela USP. Atuou como professora de idiomas e tem vasta experiência editorial, com passagens em grandes grupos de educação. É autora de Língua Portuguesa de sistemas de ensino da rede privada e, atualmente, é gerente de Produto e Inovação do grupo SEB, além de gerente editorial da Sphere International School. Fez especializações em gestão de projetos e inovação, é aluna do curso de pós-graduação em educação na Universidade de Winnipeg, do Canadá, e atua no setor educacional há mais de 10 anos.

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One Response

  1. Excelente texto e reitero que o professor deve orientar, provocar e estimular os alunos a se superarem e não somente competirem.
    Parabéns Camila, ações e reflexões na direção do seu texto só elevarão o nível das nossas escolas e alunos.
    Atenciosamente
    Manuel Fernandes Silva Souza
    Engenheiro e Professor

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