O que educação e neurociência têm em comum? – Sphere | International School

O que educação e neurociência têm em comum?

A situação da educação no Brasil, hoje, é muito séria. Muitas crianças chegam no Ensino Fundamental sem saber interpretar ou fazer inferências em um texto lido, professores não conhecem seus alunos e não valorizam seus potenciais individuais em sala. Os jovens não são estimulados a aprender, a serem críticos, a fazer realmente a diferença (de maneira positiva) no mundo em que vivemos.

Na Sphere International School são valorizados os conhecimentos naturais dos alunos, o ensino é realizado por meio da investigação e cada criança é considerada um ser único. A personalização em sala, respeitando cada nível de conhecimento, bem como o trabalho com rotinas para deixar o pensamento de cada criança visível, fazem parte da rotina escolar.

Existem algumas perguntas que os educadores se fazem constantemente: como funciona o processo de aprendizagem? Por que, em algumas situações, ele demora mais para acontecer? E o que podemos fazer para que as aulas sejam cada vez mais aproveitadas pelos alunos?

É nesse momento que a neurociência encontra a educação. Ela traz as respostas científicas do que acontece no cérebro do aprendiz, sobre como o ser humano responde a diferentes estímulos e quais ações tomar para que a aprendizagem seja efetiva nas diversas faixas etárias.

Estamos falando da missão que envolve crianças e adolescentes. E para que o processo de desenvolvimento ocorra, são fundamentais estímulos adequados, vínculo e afeto. O cérebro, auxiliado pelos órgãos que compõem os sentidos (visual, auditivo, somatossensorial, olfatório e gustatório) se apropria da informação, por meio do incentivo correto do ambiente construído pelos pais/adultos e professores, que são os interlocutores desses estímulos e referências para os estudantes.  Na primeira infância, experiências e encorajamentos positivos contribuem para o desenvolvimento saudável do cérebro, permitindo que a arquitetura do órgão seja sólida e tenha uma estrutura mais apta a superar dificuldades pela neuroplasticidade. Entrar em contato com a mesma informação de maneiras diferentes ajuda, por exemplo, a fortalecer as sinapses. Pode-se dizer que uma sinapse consolidada resulta na aprendizagem.

Na adolescência, o cérebro se prepara para começar um processo de amadurecimento. Há adolescentes com a necessidade de experiências mais intensas, que estimulem mais a liberação da substância para sentir prazer, por exemplo. O córtex pré-frontal ainda não está totalmente desenvolvido, pois é a última parte do cérebro a amadurecer. Essa região é responsável pelo processamento de comportamentos “adultos”, como planejar, concentrar, inibir impulsos e ter empatia.

Os professores precisam estar capacitados para compreender e atender às diferenças cognitivas dos alunos de acordo com os princípios da neurociência e suas fases de desenvolvimento.

O conhecimento do sistema nervoso ajuda a melhorar as práticas educativas visando à diminuição das dificuldades de aprendizagem.

E para entender o que ocorre com o cérebro quando uma pessoa aprende, é necessário compreender a biologia nas dimensões cognitivas, emocionais, afetivas e motoras; reconhecer que o processo de aprender está relacionado com as bases químicas e físicas das funções neurológicas do ser humano;  e entender que cada indivíduo é único, assim como cada cérebro, que aprende de forma diferente.

A neurociência, portanto, vem contribuir com a educação como uma ferramenta, que possibilita uma mudança no olhar. É fundamental que educadores conheçam as interfaces da aprendizagem e que seja sempre um campo a ser explorado. Reconhecer o fato de que cada aluno aprende de uma maneira singular é estar preparado para desenvolver as aulas explorando os variados estilos de aprendizagem dos alunos, se propondo a utilizar diferentes estratégias pedagógicas e ressignificar constantemente a prática docente.

Juliana Silva

Professora na Sphere International School desde 2008 e autora dos materiais didáticos da Sphere utilizados no Ensino Fundamental Anos Iniciais. Licenciada em pedagogia pela Universidade Federal de Santa Catarina, com especialização na Educação Infantil. Atualmente, trabalha com classe de alfabetização bilíngue (Year 1) e está concluindo sua pós- graduação em Neurociência na Escola pelo Instituto Singularidades.

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