A importância da parceria escola-família: propósitos e sonhos compartilhados – Sphere | International School

A importância da parceria escola-família: propósitos e sonhos compartilhados

Começar o ano novo em meio a uma segunda onda da pandemia da Covid-19 é angustiante, triste, frustrante e assustador, mas também pode ser um novo ciclo de aprendizagem, desenvolvimento, superação e transformação – de modo nunca imaginado.

Não voltamos ao normal, mas estamos de volta, mais fortalecidos e com importantes lições aprendidas. Aquilo que “já sabíamos” foi constatado na prática: que a normalidade é a incerteza, que vivemos em um mundo de rápidas e constantes mudanças, que nos afetam localmente e globalmente, individualmente e coletivamente.

E como as escolas respondem a esse cenário? A aprendizagem linear, aquela que muitos de nós conhecemos em nossa infância ou nos modelos mais tradicionais de ensino, certamente não basta para formar as crianças e jovens de hoje. A aprendizagem flexível, que permite mais escolha e autonomia, e que possibilita transitar por ambientes presenciais, híbridos e remotos, já não é mais uma abordagem reservada às inciativas mais inovadoras, mas deve fazer parte do dia a dia de toda escola, pública e privada.  No entanto, é importante lembrar que ferramentas e práticas são apenas o meio, não devemos perder de vista o propósito, aquilo que nos guia enquanto comunidade de aprendizagem.

Na Sphere International School, seguimos unidos com a missão de:

...contribuir para a formação de cidadãos críticos e conhecedores, capazes de usar suas diversas linguagens para interagir com o outro colaborativamente e com mobilidade em contextos nacionais e internacionais. Para isso, oferecemos uma educação bilíngue de qualidade, com rigor acadêmico e foco no desenvolvimento da compreensão intercultural, possibilitando avanços contínuos na capacidade de criar soluções para diferentes situações do cotidiano e em benefício da coletividade.

Começamos o ano assim, com foco em um sonho compartilhado de formar cidadãos comprometidos com o mundo em que vivem e com mobilidade para realizarem seus próprios sonhos com e para o outro.

Assim como toda missão deve ser, não se trata de palavras bonitas na parede ou nas páginas de um blog, mas de pequenas ações “pé no chão” que se realizam no dia a dia da escola. Sonhar e caminhar juntos significa problematizar e buscar os problemas que nos afligem para então criar soluções possíveis. Mesmo quando vários problemas se apresentam, quais são os mais relevantes e para quem? Como sabemos o que queremos saber?

Os problemas da escola nada mais são que os problemas das pessoas que fazem parte dela.

Para isso, o primeiro passo é conhecer profundamente o outro, em um processo de mão dupla. Dessa forma, a interação, o afeto e o engajamento são fundamentais.

Inserir a família na escola significa promover oportunidades de interações multilíngues e multiculturais, em que cada uma é especial e faz parte, não como uma massa homogênea, que se insere e se adapta, nem como uma comunidade diversa que não se conecta. A consciência intercultural se constitui nas relações e interações de toda a escola, dentro e fora da sala de aula, significa estar envolvido e comprometer-se com o outro.

Quando falamos em processos escolares interconectados, não lineares, não podemos deixar de mencionar o poder transformador do engajamento. Agora, mais que nunca, precisamos identificar aquilo que gera engajamento, seja ele por parte dos pais, alunos ou professores. É nesse sentido que a colaboração expande possibilidades, nas mais diversas esferas.

Visando apoiar escolas e redes de ensino a prepararem-se para o aprendizado flexível, a Kahn Academy compartilhou um valioso recurso, construído com base em pesquisas qualitativas e quantitativas e organizou os resultados em sete dimensões, das quais destacamos aqui o Engajamento da família

“Independentemente do ambiente de aprendizado, o engajamento da família é fundamental para o sucesso do aluno”

Kahn Academy, 2020, p. 20

Segundo a pesquisa, três princípios importantes devem serem considerados para o engajamento da família:

  1. Conexão e compreensão do contexto

O professor deve procurar conhecer o aluno e sua família, incluindo as línguas faladas em casa. Deve buscar compreender o ambiente de estudos, a cultura da casa e o acesso à tecnologia, assim como envolver os pais na experiência de aprendizagem.

  1. Envolvimento das famílias na jornada de aprendizado

As famílias devem ter uma visão completa da jornada de aprendizagem de seus filhos. Nunca devemos subestimar a importância de compartilhar objetivos e como pretendemos alcançá-los, com respeito às diferenças de cada aluno. É também importante criar formas de oferecer mais autonomia para as famílias apoiarem seus filhos em suas novas descobertas.

  1. Comunicação e suporte contínuos

Comunicação pontual, frequente e de fácil acesso é essencial para que pais e professores possam colaborar e desenvolver intervenções eficazes. A boa comunicação é aquela que acontece de modo bidirecional e por meio de uma variedade de canais.

Disponível em: Kahn Academy

Fica claro, portanto, como a escola e a família estão cada vez mais interconectadas, corresponsáveis pela aprendizagem e o desenvolvimento de cada criança. E nesse momento em que ambas se preparam para o novo, uma coisa é certa: sonhos compartilhados, afetos, interações e engajamento tornam o caminho mais leve, criativo e possível. 

Susan Clemesha

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo e mestre em Linguística Aplicada pela PUC-SP. Diretora acadêmica da rede Sphere International School, atua na área de formação de professores e desenvolvimento curricular para a Educação bilíngue (português e inglês) e internacional. Integra o grupo de pesquisa GEEB (Grupo de Estudos em Educação Bilíngue) e o LACE (Linguagem em Atividade no Contexto Escolar), ambos da PUC-SP.

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