Educação para um futuro global: o que torna uma escola internacional? – Sphere | International School

Educação para um futuro global: o que torna uma escola internacional?

Como atender às demandas de um mundo cada vez mais globalizado e superdiverso? A formação de crianças e jovens de hoje requer um olhar para o futuro das relações sociais, da ciência e do trabalho.

Não podemos prever as mudanças que estão por vir, mas podemos antecipar processos dinâmicos, complexos e flexíveis. Nesse cenário, a escola do futuro é também um espaço de exploração, vivência e resolução de problemas não-lineares, em que não basta abordar problemas com uma lente monocultural. Questões como saúde, educação, pobreza, equidade, acesso e distribuição de recursos, sustentabilidade e resolução de conflitos são apenas alguns dos problemas que devem continuar acompanhando as futuras gerações. Nesse sentido, a escola internacional parece tratar a educação de forma adaptada às necessidades atuais, por trazer em sua essência, o princípio do multiculturalismo.

Divulgação/ Complex World Wiki

O multiculturalismo, quando associado ao modo de explorar e conhecer o mundo, não se resume aos aspectos que podemos ver na superfície, como as vestimentas, os alimentos e as celebrações presentes nas diferentes culturas. O multiculturalismo pode ser tratado de modo mais amplo, também nas diferentes disciplinas e áreas do conhecimento. Por exemplo, como explorar os mesmos problemas citados acima, de modo multicultural? Como os problemas escolares estão conectados à vida cotidiana? Quais são as diferentes perspectivas científicas, como sabemos avaliar o que é mais pertinente em um dado contexto? Qual é nossa responsabilidade? Tudo isso não se faz com uma aprendizagem linear, sequencial ou encapsulada. É por esse motivo, que o propósito da escola internacional se alinha às necessidades de um futuro cada vez mais complexo, interconectado e em constante mudança.

As escolas internacionais, no entanto, não devem ser caracterizadas de maneira homogênea. Sendo assim, vamos discutir brevemente algumas perspectivas históricas sobre o surgimento dessas escolas e suas diferentes classificações.

Quais as classificações de escolas internacionais?

Segundo a International Schools Association (ISA), não há um consenso sobre a identidade da primeira escola internacional. Para alguns, o London International College, que operou de 1867 a 1889 foi um dos precursores do modelo de educação internacional, fundado a partir do reconhecimento das vantagens de educar, conjuntamente, crianças de diferentes nacionalidades. Os fundadores dessa escola acreditavam que a mistura de nacionalidades criaria um ambiente propício para a formação de futuros embaixadores, que por sua vez, poderiam promover a compreensão intercultural e encorajar o comércio mundial.

Fundada em 1951, a ISA é reconhecida hoje como a mais antiga associação de escolas internacionais. Sua missão é promover a compreensão internacional e intercultural e para isso segue os valores de “… paz, liberdade, igualdade, tolerância e a celebração tanto do diverso quanto do semelhante”.

Na década de 1960, o ISA foi fundamental para o surgimento do International Baccalaureate Organization (IBO), hoje reconhecido mundialmente por sua excelência em desenvolvimento de currículo para escolas internacionais.

Com as ações promovidas pelo ISA e o surgimento do IBO, pode-se dizer que as escolas internacionais foram oficialmente reconhecidas como tal a partir da década de 1960. Ian Hill (2015, p.2) relata como as escolas internacionais foram categorizadas por Bunnel (2014) em quatro tipos¹:

1. Escolas nacionais privadas de elite, fundadas no país hospedeiro, com a maioria dos estudantes desse país, as quais promovem uma perspectiva internacional e o intercâmbio de estudantes no exterior.

2. Escolas provindas do exterior, que oferecem educação regular de seus países de origem, para expatriados, em instituições geralmente financiadas em grande parte pelo governo do país de origem e seus alunos normalmente são da nacionalidade do país de origem; por exemplo, escolas estrangeiras norte americanas, britânicas, francesas, alemãs, suíças etc.; também inclui escolas missionárias.

3. Algumas poucas instituições fundadas a partir de acordos bilaterais ou multilaterais entre governos, como algumas escolas franco-alemãs e as escolas do mercado comum europeu, oferecendo o bacharelado europeu de 1959.

4. “Escolas Internacionais Genuínas” (Leach, 1969, p. 7-10), podendo ou não ser membros do International Schools Association ( ISA).

Tradução nossa de (BUNNELL, 2014 apud HILL, 2015, p.2)

O mercado de escolas internacionais expandiu-se, inicialmente, para atender à educação dos filhos de expatriados, em contextos em que as escolas locais não proviam o currículo e a língua de instrução adaptados às necessidades dessas famílias  (ISC Research). Hoje, as escolas internacionais atendem a uma comunidade diversa de alunos e não somente os filhos de “estrangeiros”, como citado. As famílias que buscam escolas internacionais, em geral, são aquelas que desejam uma formação para a cidadania global, em ambiente bi(multi)língue e com atenção a um currículo academicamente rigoroso.

É também importante distinguir entre currículo e acreditações internacionais. Os órgãos de acreditação são autorizados a avaliarem se os processos e protocolos escolares seguem as normas e padrões de excelência por eles estabelecidos. Já as organizações e instituições que desenvolvem currículos internacionais, atuam no estabelecimento de premissas e abordagens pedagógicas que apoiam o currículo escolar, nos eixos de planejamento, ensino-aprendizagem e avaliação.

A Sphere International School de São José dos Campos tem suas premissas de internacionalidade alinhadas ao IB e é autorizada nos programas Primary Years Programme PYP) e Middle Years Programme (MYP). A escola agora se prepara para a implantação do Diploma Programme (DP) no Ensino Médio, ampliando o acesso de seus alunos às melhores universidades do mundo. A certificação do IB confere à escola o status de internacionalidade, mas para além disso, os projetos e práticas desenvolvidos pela escola desde sua fundação, permitem que seus alunos tenham, de fato, uma educação comprometida com a cidadania global e a transformação.

A rede Sphere preocupa-se com a responsabilidade social como um dos elementos essenciais a serem desenvolvidos pelo currículo internacional. Quando o propósito da cidadania global está claro e é implantado criteriosamente em todos os ciclos de ensino, como processo e resultado do percurso educativo, a escola cumpre sua missão de contribuir para a formação de novas lideranças que terão uma visão ampliada de mundo, possibilitando condições mais sustentáveis e justas para as futuras gerações.

Referências:

BUNNELL, T. The Changing Landscape of International Schooling: Implications for theory and Practice.  Abingdon: Routledge. 2014. In: HILL, I. What is an international school? Part one International Schools Journal vol XXXV no.1 November 2015 pp 60-70. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/290448029_What_is_an_international_school_Part_one. Acesso em: 03/04/2021.

International Schools Association: https://isaschools.org

ISC Research: https://www.iscresearch.com/

Susan Clemesha

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo e mestre em Linguística Aplicada pela PUC-SP. Diretora acadêmica da rede Sphere International School, atua na área de formação de professores e desenvolvimento curricular para a Educação bilíngue (português e inglês) e internacional. Integra o grupo de pesquisa GEEB (Grupo de Estudos em Educação Bilíngue) e o LACE (Linguagem em Atividade no Contexto Escolar), ambos da PUC-SP.

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