Ferramentas digitais para o engajamento e desenvolvimento de habilidades em contextos híbridos – Sphere | International School

Ferramentas digitais para o engajamento e desenvolvimento de habilidades em contextos híbridos

E no meio da minha aula tinha uma pandemia… quem viveu como educador, pai ou aluno, nesse novo contexto que a pandemia de Covid19 de 2020-2021 nos impôs, sabe que muitos foram e têm sido os desafios do uso das tecnologias para o ensino-aprendizagem.

Novos termos passaram a fazer parte do nosso dia a dia, tais como: síncrono e assíncrono, on-line, remoto, ensino híbrido. Mas é importante ressaltar que este último não é um debate tão recente assim. O conceito de Ensino Híbrido define, grosso modo, a integração entre atividades e tarefas feitas presencialmente e virtualmente. Com isso, o professor passa a ter a função de criar o design de suas aulas e a pensar e preparar os espaços a serem ocupados durante as mesmas.

O aluno precisa ter uma posição bastante ativa na modalidade híbrida, lidando com diferentes estratégias para a construção de conhecimento. As relações são o foco principal e o planejamento deve prever questões como a interação do aluno com determinado conteúdo ou contexto, as relações entre os alunos ou entre alunos e professores.

Portanto, dentro de uma perspectiva de Ensino Híbrido é necessário repensar as experiências e o espaço de aprendizagem, assim como a autonomia do aluno, que irá pensar soluções e colaborar com seus colegas para a construção de conhecimento.

Nesse contexto, planejar e participar de aulas se tornou também um momento para conhecer novas ferramentas tecnológicas que venham a contribuir ou até mesmo possibilitar estratégias que antes nem pensávamos em trabalhar ou propor. São inúmeros os recursos tecnológicos que podem sustentar um trabalho educacional virtualmente, muitos deles já conhecidos e compartilhados como Kahoot, Quizizz, Genia.ly, entre tantos outros. Muitos com versões gratuitas e, em meio a tantas opções e informações, vale sempre ter em mente nossos objetivos de aprendizagem e o engajamento que se quer propor. Para isso, aqui vão algumas dicas de possíveis plataformas em suas versões gratuitas e que podem auxiliar o trabalho pedagógico em meio a tempos remotos, assim como em nosso futuro na educação:

Plataforma para uso de vídeos. Uma ferramenta potente para aulas invertidas, por exemplo, ou atividades avaliativas de escuta. Pode-se selecionar vídeos do próprio site, YouTube (incluindo vídeos que você mesmo grave e suba na plataforma), Khan Academy, TED Talks, entre outros. Uma vez escolhido seu vídeo, você pode editá-los, eliminando trechos que não queira trabalhar, assim como inserir notas (como uma explicação inicial da atividade, por exemplo, ou um glossário em determinado trecho do vídeo), questões de múltipla escolha e questões abertas para escrita de uma resposta. É também possível gravar sua voz junto com o vídeo, podendo ser uma instrução ou explicação, no decorrer do mesmo. A versão gratuita permite a criação de 20 atividades. Você pode organizar suas turmas criando-as na plataforma ou migrando-as do Google Classroom. Ao finalizar sua edição, você pode selecionar o período de início e término da atividade, bem como gerar o link para compartilhamento da mesma. Uma vez que os alunos acessem esse link, os nomes relacionados aos e-mails ficam gravados e o professor pode verificar quando o aluno acessou a atividade, se ele assistiu a todo o vídeo e quais foram suas respostas, podendo escrever comentários e dar uma nota a cada questão.

Learning Apps (https://learningapps.org/):

Plataforma totalmente gratuita, que permite o uso de inúmeras atividades já criadas, assim como possibilita a criação de jogos da memória, quiz, jogo da forca, caça-palavras, cruzadinha, complete o texto, entre outras. O ponto forte do site é a possibilidade de uso de áudio, imagem, vídeo e texto em quase todas as opções de modelo de atividade, podendo-se dessa forma trabalhar com alunos ainda não alfabetizados inserindo áudio e figura, por exemplo. É possível criar atividades com músicas para completar a letra, sendo que o aluno pode escrever ou selecionar dentre as possibilidades que você fornecer. É possível trabalhar linha do tempo, sequenciamento, pareamento entre tantos outros. O lado negativo do site é que o professor não consegue visualizar a produção do aluno, portanto não é uma boa plataforma para atividades avaliativas somativas, por exemplo. Mas em todas as propostas, o aluno pode checar suas respostas, sendo uma boa ferramenta para avaliações formativas. É possível organizar suas atividades criadas em pastas separadas.

Esse aplicativo pode ser adicionado ao Google Slides e permite transformar suas apresentações expositivas em slides interativos. A versão gratuita lhe possibilita ter acesso a todas as ferramentas e ao painel do professor, chamado de Dashboard, por 30 dias. Depois desse período, você pode continuar utilizando as interações em seus slides, mas não terá acesso aos resultados obtidos salvos. No Google Slides, você pode clicar em Complementos e adicionar o PearDeck, sendo que uma aba será aberta e,uma vez feito seu login, pode-se começar a explorar as diferentes possibilidades de interação. Os slides podem permitir que os participantes desenhem, escrevam, respondam a um quiz, liguem imagens e palavras, arrastem bandeirinhas em determinado lugar de um mapa, selecionem verdadeiro ou falso, entre outras opções. Existe um banco de propostas prontas que você pode selecionar e editar, assim como você pode criar a sua interação do zero em seu slide.

Essa plataforma permite a criação de murais colaborativos. Sua versão gratuita possibilita a criação de 5 murais por conta. Pode-se criar uma linha do tempo, um mapa mental, uma conversa e diferentes tipos de murais como por colunas, lista ou por grades. O fato de que todos podem editar o mesmo documento simultaneamente, permitindo a visualização da colaboração de todos, faz desta ferramenta um aliado potente em contextos online. É possível inserir texto, imagens, vídeos, GIFs, fotos, áudio e mais. Pode-se usá-la para levantamento de conhecimentos prévios acerca de determinado conteúdo, para dirigir um estudo ou leitura ou então como um espaço de documentação pedagógica de percursos investigativos. Os convidados podem apenas ler, escrever ou até editar os murais, a depender da escolha do criador do mesmo. É possível interagir com comentários e curtidas também. Você pode curtir outros murais que ficam salvos em seu painel e não contam nos 5 murais que você pode criar na versão gratuita.

Muitos outros recursos e plataformas podem nos auxiliar na construção colaborativa e engajada de conhecimentos, vivências e percursos. Nessa multimodalidade que a tecnologia permite, ao trabalharmos dentro dos conteúdos escolares, podemos desenvolver inúmeras habilidades de acordo com nossos objetivos de aprendizagem. Conhecer e explorar essas diferentes ferramentas nos possibilita engajar alunos, professores e pais na construção conjunta de epistemes, tornando nossa comunidade uma rede de conexões e construção de saberes.

REFERÊNCIA: BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi; DE MELLO TREVISANI, Fernando. Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação. Penso Editora, 2015.

Bianca Sgai Franco Medeiros

Pedagoga formada pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e atriz formada pelo Teatro-Escola Célia-Helena. Atua na área de Educação desde 2009, sendo atualmente professora de inglês na Escola Castanheiras no estado de São Paulo. Com certificação de proficiência em Inglês pela Cambridge University e cursos de especificação em formação de professores de inglês para crianças e adolescentes e na área de arte-educação, ambos pela PUC-SP e em formação de coordenador pedagógico para a área de Língua Inglesa pelo Instituto Singularidades. Pós-graduada em Educação Bilíngue: desafios e possibilidades no Instituto Singularidades e integrante do Grupo de Estudos em Educação Bi/multilíngue (GEEB). Atualmente é mestranda do LAEL na PUC-SP em Linguística Aplicada.

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